terça-feira, 13 de outubro de 2020

Qual fogo do inferno!

 

Cena de "O Corcunda de Notre Dame" (1996). Todos os direitos reservados à Disney.
 

Boa tarde, meu caro leitor! Desejo compartilhar com você uma tradução. E também uma reflexão. Acompanhe-me com uma dose deste excelente "spirit", pois a conversa arderá em chamas.

Você já passou pela terrível experiência de ser um vilão, enquanto pensava sinceramente ser “mocinho”? Pois eu já. Um ser humano em tal estado é capaz das coisas mais horríveis contra seu próximo. E também contra si próprio. Mais dia, menos dia, acabará consumido pelas chamas que saem de dentro de sua mente confusa. Tais pessoas vivem em luta interna constante. Fogem delas mesmas. Correm atrás do vento. Padecem como Tântalo. Labutam como Sísifo. Perecem como Ungoliant1 . Tipicamente, costumam projetar em algo externo a motivação de sua conduta: uma filosofia, uma religião, um líder. Por ter vivido anos em tal estado, me identifico muito com uma personagem da ficção, que possui tais características. “Ele viu pecado em cada ser, exceto em si”. Claude Frollo, do desenho “The Hunchback of Notre Dame”(1996).

Antes de analisar a personagem devo deixar algo muito claro: partirei de sua representação no desenho  da Disney.  O desenho, por sua vez, é baseado no romance “Notre Dame de Paris”, de Victor Hugo (1831). Há algumas diferenças significativas na trama e nas personagens.

Ambientado na Paris da Baixa Idade Média, à sombra da gloriosa Catedral de Notre Dame (Nossa Senhora), o desenho tem como antagonista o zeloso, austero, culto e devoto juiz Claude Frollo 2 . Arquétipo do religioso legalista, amargo e destrutivo, Frollo é o “tutor” do protagonista - o corcunda Quasimodo - cuja mãe assassinou numa perseguição aos ciganos. A tarefa de criar o “monstro”, como chamou o bebê, foi lhe dada pelo arcediago da catedral, como penitência.

Frollo está sempre taciturno. Aparentemente, não possui família. Defende a morte dos “hereges”, das “bruxas” e dos “pecadores” - aos quais, culpa por todos os males. Pratica a tortura e odeia festas populares. Entre os temas que mais gosta de tratar, estão o pecado, a  danação, a  lei e a ordem. Vive atormentado pelo “mal”. Considera-se muito superior a multidão vulgar e pecadora. Orgulha-se de sua bondade, justiça e virtudes. Todos são culpados aos seus olhos, menos ele próprio.

No entanto, algo desestabiliza totalmente nosso “homem honesto”. O casto Frollo sente-se severamente tentado por Esmeralda, uma bela moça cigana. Após dizer certas verdades na cara do cruel magistrado, Esmeralda se refugiara na Catedral, a fim de evitar a prisão. Acolhida pelo velho e bondoso arcediago, seria presa assim que pusesse os pés para fora.

Em uma estrelada noite, o coro de clérigos da Catedral entoa o “Confiteor” (Ato de Contrição), no qual os pecadores se humilham diante de Deus, e pedem a intercessão daqueles que já venceram o grande combate da vida terrena. As orações sobem juntamente com o incenso dos turíbulos. Enquanto isso, severamente atormentado, do salão do Palácio da Justiça, Frollo entoa um cântico próprio à bendita virgem Maria. Tal qual o fariseu da parábola dos Evangelhos3, protesta a sua inocência, justiça e bondade. Suas diversas paixões e afetos se entrelaçam numa miscelânea estonteante. Pede para ser livre da tentação. Pede para que a cigana seja destruída. Pede para que ela seja sua somente.Tal música possui o sugestivo título de "Hellfire" (literalmente, "Fogo do inferno").

Numa das cenas mais chamativas, enquanto o coro da catedral, como voz de fundo, repete o “mea culpa” (minha culpa), uma admissão das próprias falhas diante da graça divina, Frollo se exime da sua. Ele não é culpado. A cigana, o diabo e até mesmo Deus o são. Na forma de aterradoras figuras com togas e capuzes vermelhos, os demônios de sua consciência o torturam.

Muitas vezes, os “pobres mortais” podem se surpreender com tais “santos intocáveis”. Juízes no alto de torres de marfim, nos pináculos da glória, muitas vezes alegando as virtudes divinas. No fundo, são a máxima expressão da soberba e da vaidade humana. São inflamados pelas chamas do inferno, e perecem em meio a tais chamas. Portanto, não se zangue tanto com moralistas severos, com frios e férreos “cidadãos de bem”, com mortais inflamados pelo orgulho de intermináveis anos de estudo e pesquisa. Os que se julgam tão superiores, estão calcados sob os pés do próprio tormento. Não se lhes poderia desejar maior castigo do que ser o que já são.

Sem mais discursos, vamos a tradução alternativa, feita por mim.

 

(coro de clérigos)

(Confiteor Deo omnipotenti, beatae Mariae semper Virgini,

Beato Michaeli archangelo; sanctis apostolis, omnibus sanctis)

 

(Solo de Frollo)

Bendita Maria! Sabeis que sou cristão fiel,

Da virtude posso me orgulhar! (et tibi pater,)

Bendita Maria! Acima deste poviléu

Vejo minha bondade vicejar! (quia peccavi nimis)

 

Dizei-me, Maria!

Porque então a vi dançar,

E os seus olhos prendem-me à paixão? (cogitatione,)

 

Eu sinto, eu vejo

Cabelos negros a brilhar

Em chamas da lascívia e tentação! (verbo et opere)

 

Qual fogo

Do inferno!

Tal fogo queima em mim!

Desejo eterno

Conduz-me à queda, enfim!

 

Eu não errei! (mea culpa,)

Eu não fui vil (mea culpa,)

Mas a cigana com o feitiço me iludiu! (mea maxima culpa!)

 

Não culpe a mim, (mea culpa,)

Se em plano tal (mea culpa,)

Deus fez Satã mais poderoso que o mortal! (mea maxima culpa!)

 

Guardai-me, Maria!

Não deixe que a sedução

Qual chama me consuma a alma e o ser!

Destrua Esmeralda,

Nas chamas da condenação!

Ou que ela se entregue ao meu querer!

 

(Falado:

Guarda: Ministro Frollo, a cigana fugiu!

Frollo: O que?

Guarda: Não está mais na catedral. Sumiu!

Frollo: Mas como? Esqueça.  Retire-se, imbecil!

Vou achá-la... Vou achá-la, nem que para isso precise queimar Paris inteira!)

 

Em chamas da ira,

Ó bruxa, irás arder!

Ou eu ou...

A pira!

Terás de escolher!

 

(Kyrie Eleison!)

Deus, piedade dela! (Kyrie Eleison!)

Deus, piedade de mim! (Kyrie Eleison!)

Mas ou será minha...

Ou vai arder!

 

 

NOTAS

1.      Personagem da obra do escritor J.R.R. Tolkien (1892-1973). Ungoliant é descrito como um poderoso espírito maligno em forma de aranha gigante. Em um dos relatos, teria devorado a si mesmo, devido a fome insaciável.

2.        No Romance de Victor Hugo, Frollo é o próprio arcediago da Catedral, e não um juiz.

3.        Narrada por Jesus Cristo, no capítulo 18 de Evangelho segundo Lucas.



sexta-feira, 2 de outubro de 2020

UM TRÍPTICO À GLÓRIA HUMANA

 

INVOCAÇÃO

Ó Musas imortais, de dourados cabelos!

Ouçam desta taverna, desta latrina!

Neste velho e cansado burgo,

Sob a égide de gárgulas ferinas!

 

Com halos celestes, sois visão ditosa;

No meio da plebe torpe e imunda,

Dos dentes podres, de carnificinas gozosas,

Da Cadela Sagrada, da cova profunda!

 

Inspirai a este esquivo rato,

Gerado na escória das ruas.

“Quod is veritas?” – Tenho ampulheta!

Mãos sangrentas, e fúria nua.

 

Ó sagradas águas! Dos comedores de formigas.

Paradoxais águas, de pulquérrimas musas!

Sois gloriosas, mais que o Elba, o Sena e o Rubicão

Águas de alvíssima luz – alvíssima e difusa!

 

PARTE I – ERRANTE NAS SOMBRAS

 

Espada afiada, brasão na parede.

Dançando no templo, contando piadas.

Máscaras muitas, fome e sede,

Escuros caminhos, sonoras risadas.

 

Lembrança do nome tosco e brega

A vingança virá- e da morte, a risada.

Palavras dos sábios, discursos piegas.

Ódio mortal e a queda da escada

 

Dama vermelha em seu nobre escudo

Sutil como a sombra, e frio como o gelo.

Seus pergaminhos, suas peças de ludo.

-E o tolo pensa que pode detê-lo!

 

Cabelos sedosos, sorriso infeliz?

Leal escudeiro ou vil traidor?

“Nemo me impune lacessit”-  diz.

Assim agirá com cautela e fervor.

 

A terra se abre, o inferno a rugir.

Não há o que fazer, cantai odes à Sorte!

Ó Fortuna, que vens dirimir,

És como a lua, teu fim é a Morte!

 

Ladrão descarado? Corta-lhe a face!

Protege sua amada, também seus irmãos.

Persegue a Serpente e quem dela nasce

Á cruz! Á espada! Guerreiro cristão!

 

Olhos de águia, na torre é senescal.

Haverá de estar- verá o cão morto!

Quem mais irá ao cortejo triunfal,

Com um cálice de vinho do Porto?

 

 

PARTE II – PADECENDO NO PARAÍSO

 

 

Rosário na mão, e o “tau” no pescoço.

Rezando as Matinas, diante da cruz.

Pregando aos peixes, limpando o leproso,

De vila em vila,” é sal” e “é luz”.

 

Lembrança do nome sagrado e tão doce!

O Juízo Final às portas está!

Os atos dos santos, as “Summas” dos mestres,

O amor fraternal, tentação que virá!

 

A Virgem Bendita é seu estandarte

Simples, qual pomba. Sutil, qual serpente.

O Santo Evangelho, o sorriso às crianças.

Fogem demônios, e o Rei não faz frente!

 

Seus loiros cabelos, suas pútridas chagas.

Pai tão bondoso, ou Judas à mesa?

“Vanitas vanitatum” – é o que sempre diz

Com ígnea ira,  com frágil destreza.

 

A terra se abre, o inferno a rugir.

Não há o que fazer, cantai odes à Sorte!

Ó Fortuna, que vens dirimir,

És como a lua, teu fim é a Morte!

 

Ao cátaro herege? Dá-lhe um sermão!

Protege as ovelhas, e até ao pecador.

Persegue o rei Midas – Mas tema a si próprio!

Quem muito se gaba, é o mais transgressor.

 

É tudo, por todos. Na torre é vigia.

Haverá de estar- se ao alvo seguir!

Quem mais irá ao cortejo de estrelas,

Ás quais a soberba não fez aluir?

 

PARTE III – TORMENTO DE TÂNTALO

 

Um cetro na mão, e uma adaga adornada,

Bebendo em banquetes, gozando em bordéis.

Pândego vazio – mas todos se prostram!

É filho do Duque! Canção dos menestréis.

 

Um rosto tão belo, um corpo perfeito.

O amor pela mãe. Do remorso, a facada.

Lembrança do pajem- patife maldito!

Mandou-lhe surrar, pela indigna risada.

 

Bandeiras, trombetas, brasões adornados.

Com ouro a seus pés, vivendo em festas.

Suas roupas vistosas, suas liras sonoras.

Age qual um tolo, e  ninguém lhe contesta.

 

A face do inferno, ou o abraço do amigo?

Um mestre querido? Ou um bajulador?

“Carpe Diem” – Seu lema sagrado!

Com amor ao fugaz, sem paz no esplendor.

 

A terra se abre, o inferno a rugir.

Não há o que fazer, cantai odes à Sorte!

Ó Fortuna, que vens dirimir,

És como a lua, teu fim é a Morte!

 

Rival no torneio? Não vai permitir!

Mas chora o irmão. E até a um cão sabe amar!

Correndo, correndo sem nunca atingir,

É um Hércules falho, com a Corça a zombar!

 

Leonina presença, no feudo é senhor.

Haverá de estar – mas como o será?

Teme o além, quando a Missa findar,

Céu de Bem, inferno vil ou terrível cessar?

 

EPÍLOGO

 

 

Olá, cá estou! E estarei ‘té a consumação

Sempre sorrindo, não posso mudar!

Minha ossuda arcada só sabe sorrir

Sorriso verdadeiro, santo e sem par!

 

Sem olfato, melhor sinto os teus aromas

Sem olhos, ninguém me escapa ao olhar

Sem língua, todos temem minha palavra

Sem cérebro, meu engenho é sem par

 

Meu cutelo é afiado, corta diamantes.

Não tenho músculos, mas sou a mais forte

Prazer em vê-lo -prazer que é todo meu!

Sou amiga e carrasca, a Senhora Morte.

 

-Dance, comigo, bispo reverendo!

-Mas mal terminei meu assado!

Assados não servem- “Da carne, ao pó”.

Melhor lhe fora mais ter rezado!

 

 

Dance comigo, senhor alquimista

Acaso achaste como me vencer?

-Não, soberana, há muito fui vencido

Há noventa anos sob teu poder!

 

Dance comigo, valente ladrão!

Por que essa face tão assustada?

“-Assaltei príncipes, roubei cardeais.

Caí de uma égua, e já não sou nada!”


-Que bela coroa, vossa majestade!

Teu reino passou-se,  monarca galhardo!

-Inda estou zonzo, com o golpe que deste

Eu, com a criada, fazia um bastardo!

 

 

No lodo verminoso, o leito comum,

Tudo perece, tudo corre, tudo passa.

Nos mausoléus, nas valas, nas piras

Nas águas primevas, tudo se desfaça!

 

E no Reino da Escura Estada.

Sombras esquálidas, sem divina luz.

Aquiles é escravo, não valem artifícios,

Não valem romãs, valerá então a cruz?

 

 

 

Criaturas do Tibia: Teorias e análise das falas


Eai galera tibiana, salve!!!
 
Sempre fui um grande investigador dos conceitos , roleplay e mitologia por trás do Tibia (embora um péssimo player na prática. Uma coisa que sempre me chamou atenção foram as frases pronunciadas (?) pelas criaturas. Por isso, gostaria de iniciar uma série de posts com comentários sobre elas. Algumas são de difícil tradução, pois usam aspectos sutis da língua inglesa (gírias, simbolismo, etc.). Portanto, aceito (e agradeço) comentários e correções mais precisas. Nesse artigo, reúno o conteúdo de dois posts, feitos por mim, no grupo Tibia Depressão, encontrado no Facebook. Acrescentei algumas informações e imagens ilustrativas, levando em conta os feedbacks recebidos no grupo.
 
MONK (Monge): "Arrependa-se, herege!"; "Eu punirei os pecadores"; “Uma prece ao Todo-poderoso”.
 
Comentários: Não há muito o que comentar. Essa criatura, que está no jogo há muitíssimo tempo, expressa o fanatismo religioso dos devotos de Zathroth (em antigas versões do game, o Monk dizia claramente “Zathorth”, e não “almighty one”). Ah, sempre achei estranho os monges, seres ligados ao sobrenatural, possuírem apenas ataque físico.
 
WARLOCK: "Até um rato é melhor como mago do que você"
Comentário: Essa poderosa classe de magos das trevas profere uma das chacotas mais icônicas do Tibia. Uma interessante curiosidade sobre os Warlock é que um dos níveis de Demona, sua "cidade" subterrânea, possui a forma de um pentagrama.
 
YALAHARI: "Um dia Yalahar retornará a sua antiga glória". "Este conhecimento sobrepujará sua frágil mente". "Não espero que entenda".
 
Comentários: A antiga raça dos Yalahari era muito evoluída nos aspectos tecnológico, espiritual e filosófico. Após contatos com poderosíssimos espíritos, entraram em ruína. Com amargura e nostalgia, o Yalahari irá “arrotar” sua superioridade aos que se aproximam.
 
BLACK KNIGHT (Cavaleiro Negro): "Você não é páreo para mim"; “Pelo sangue de bolg
 
Comentários: De fato, ele é um guerreiro formidável. Segundo a lenda tibiana, o Black Knight era um importante líder do exército de Thais, que após ter sua casa soterrada no pântano, e não receber a ajuda dos companheiros  perdeu a confiança na humanidade. Teve a mente distorcida pelos bonelords, que se tornaram seus únicos amigos e vizinhos. Sempre achei estranho que o Knight, apesar de possuir respawn único, e ser (no roleplay) uma só pessoa, é oficialmente classificado como “creature”, e não como “boss”... A referência ao “sangue de bolg” é curiosa. Confesso que, sempre tendo sido cristão, me recordei das referências aos sacrifícios do Antigo Testamento e ao próprio sangue de Cristo, quando vi essa frase. Mas NUNCA encontrei nenhuma explicação para a referência, e nem mesmo ao que (ou quem) seria “bolg” no roleplay tibiano. Há um certo deus "Blog", cultuado por grupos de minotauros e orcs. O único “Bolg” que conheço é o filho de Azog, o profano, que comanda os orcs na Batalha dos Cinco Exércitos, retratadas na famosa obra de ficção fantástica “O Hobbit”, de J.R.R. Tolkien.
 
HERO (Herói): "Vamos realizar uma luta?". "Bem-vindo ao meu campo de batalha", "Você viu a princesa Lumlia?". "Cantarei uma melodia sobre seu túmulo."
 
Comentário: Sempre achei os Heroes muito estilosos. O outifit incluindo um corte de cabelo elaborado e a capa vermelha (os GM’s, quando estão “encarnados” no game, usam o mesmo outifit, mas em outras cores), os itens que levam consigo (como rosas vermelhas, manuscritos com poemas, tecidos finos, anéis e liras), além as frases floreadas e irônicas refletem a elegância dessa feroz estirpe da descendência dos exploradores originais de Edron. São extremamente forte no combate mano-a-mano, e também utilizando arcos e flechas.O Minishabaal, criatura que participou das festividades de 10 Anos do Tiba, também faz referência à tal princesa Lumelia, dizendo que a “comeu no café da manhã”...
 
DWARF GEOMANCER (Anão Geomante): "A Terra é o elemento mais forte!", "Do pó ao pó!”
 
Comentário: Espécie de clérigo e feiticeiro entre os anões, e considerado uma das criaturas mais irritantes do Tibia, o Geomancer( aquele que faz prognósticos baseados na observação da terra, da de areia, etc.) irá “puxar a brasa” para o seu lado ( o poder do elemento terra). A afirmação “Do pó ao pó” é uma aplicação irônica à conhecida frase, extraída da Bíblia Sagrada, que Deus pronuncia como maldição sobre Adão após o pecado original.
 
FAUN (Fauno): "In vino veritas!
 
Comentário: "In vino veritas" (no vinho está a verdade) é uma velha máxima latina (citada por Plínio),que sempre possuiu equivalentes em línguas diversas, expressando o fato de um homem chegar a ponto de expor todos os seus reais sentimentos e intenções quando está embriagado. As demais frases do Fauno no Tibia expressam sua natureza extrovertida, pândega, e despreocupada (danças, mulheres, vinho e canções). É curioso notar que tal frase é uma das poucas pronunciadas em um idioma da Real Life que não seja o inglês.
(Em outro post, farei uma análise das frases da trevosa "borboleta" Anmothra, que também está em língua latina).
 
 
 
 
OGRE SHAMAN (Xamã Ogro): "Um sacrifício para o Grande Faminto!". “Você é mais tenro do que um Clomp”

Comentário: O Great Hunger(Grande Faminto) é o deus adorado pela tribo dos ogres, que necessita se alimentar da carne de seres sacrificados. Como um sacerdote,o xamã da tribo buscará matar o player que aparecer em seu caminho para servir de sacrifício. Se repararmos na forma inglesa da fala desta criatura, perceberemos uma maneira estereotipada que é usada para “zombar” de povos ditos selvagens na Real Life (indígenas, tribos africanas, etc.). No entanto, podemos perceber que o deus não come toda a carne: o xamã aprecia a carne humana, por ser mais tenra/delicada/fina do que a de um clomp (espécie de rinoceronte tibiano). Parece uma tendência natural dos gigantes brutamontes e de baixo Q.I. apreciar o sabor da carne humana (Cyclops dizem que a carne humana é deliciosa).
 
 
APPRENTICE SHENG: “Protegerei os segredos de meu mestre!”; “Kaplar!”; “Esta ilha será nossa somente!”; “Você já está sabendo demais!”.
 
Comentário: Muitas vezes enquadrado na categoria “boss”, e sendo um Minotaur Mage, induz a uma compreensão totalmente inverossímil de que seria algum Mino Mage importante. Na verdade, como seu nome diz, ele é um aprendiz, que deve proteger os segredos de seu mestre. O mestre em questão é, obviamente, o
Minotaur Mage solitário que habita uma misteriosa sala trancada em Rookgaard. Entendemos que Sheng foi enviado para auxiliá-lo e fazer o transporte de itens e de informações. Esta criatura é mais fraca que um Mage comum. Quais seriam esses segredos? Fica claro que há um plano de dominação sobre a ilha. Mas para os familiarizados com as lendas de Rook, surge uma forte tendência em estabelecer alguma relação com a lendária Sword of Fury. “Kaplar!” é uma de código entre os minotauros seguidores de Palkar, cujo significado exato (Seria uma anagrama do nome de seu líder?) é desconhecido pelos humanos e pelos outros minotauros leais à Markwin (Rei de Mintwallin). O Aprenticce é a única forma de obter, em Rook, o item “Magic Light Wand”, que em Main é vulgar e barato

 .
FERNFANG:Você profanou este lugar!”; “Eu vou limpar essa ilha!”; “Yoooohuuuu”; “Grrr!”
 
Comentários: Fernfang, o monk, é um dos bosses mais curiosos e misteriosos do jogo. Apenas players que seguem a vocação Druids conseguem contatá-lo, devido à localização (Isle of the Mists), inacessível aos demais. Sendo um religioso eremita, Fernfang considerará qualquer presença, a exceção de seus amigos lobos, como um sacrilégio. Curiosamente, Dharalion, boss dos elfs, pronuncia uma frase semelhante (mencionando “templo” ao invés de “lugar”). Considero digno de atenção o fato de Fermfang desejar “limpar” a ilha. Se os lobos são seus amigos (ele summona warwolfs e adota a aparencia de um quando quer, o que explica a capacidade de uivar), e apenas alguns poucos druidas “invadem” sua ilha de vez em nunca, porque tanta preocupação? O que ele enxerga de perigoso, e ninguém mais percebe? Se Fernfang raramente é encontrado, MESMO EM SUA PRÓPRIA ILHA(que, sinceramente, é pequena, sem graça e sem itens valiosos), onde passa o tempo? Haveria alguma cave ou portal secreto relacionado à sua missão de “limpar”, o qual ele acessaria constantemente? Sabendo que a Plains of Havoc, lugar mais próximo, sempre foi relacionado a épicas batalhas tibianas e invasões demoníacas, a questão fica ainda mais instigante.Nunca joguei de Druid, a mais desconhecida das vocações para mim. Mas ouvi relatos de que Fernfang aparece apenas a cada vinte dias (aproximadamente), e que desaparece após algumas horas caso ninguém visite a ilha. De fato, parece que ele apenas a usa como refúgio e acesso para coisas mais importantes e profundas. Recebi a informação de um antigo player (e chequei em outras fontes, sendo ela verídica), de que, há muito tempo, a ilha era o respawn único do raro livro Green Tome (o qual, segundo a descrição, possui os "místicos segredos de Tibia"). O fato do livro, hoje em dia, não ser encontrado mais lá, me leva a um inquieto questionamento: porque então não retiraram a ilha do game (como fizeram com Calcanea), já que seria sua única função aparente? Com certeza, há mais mistérios escondidos aí...
 
 
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